A Seed (Secretaria de Educação e Desporto de Roraima) realizou nesta quarta-feira, 2 de abril, mais uma edição do Seed Itinerante, iniciativa que leva orientações técnico-pedagógicas às escolas estaduais do interior. Desta vez, a ação contemplou as Unidades de Ensino Multisseriadas e Bilíngues da Região Serra da Lua, abrangendo os municípios de Cantá e Bonfim.
A programação contou com rodas de conversa destinadas a gestores, coordenadores pedagógicos, secretários e professores responsáveis por 23 escolas estaduais indígenas. Além disso, nove escolas estaduais indígenas que ofertam o ensino médio receberam kits de robótica para potencializar o ensino nas suas respectivas unidades.
O objetivo é fortalecer o diálogo entre a secretaria e os profissionais da educação, garantindo suporte e alinhamento das políticas educacionais. A ação contou com a presença de representantes de diversos departamentos da Seed incluindo o Depe, o Departamento de Educação Escolar Indígena, a Coordenação dos Colégios Estaduais Militarizados e o Centro Estadual de Formação dos Profissionais da Educação de Roraima.
Segundo a diretora do Departamento de Educação Escolar Indígena, Jane Alice, a ação Seed Itinerante é uma estratégia fundamental para aproximar a gestão das escolas e ouvir diretamente as demandas dos profissionais que atuam na ponta do ensino.
“A importância desse momento reside no fato de que muitas vezes os gestores enfrentam dificuldades para se deslocar até a sede devido à distância. Com essa itinerante, podemos nos aproximar deles e esclarecer suas dúvidas sobre os programas e ações da Secretaria de Educação”, explicou a diretora.
Programação e equipe técnica
O encontro ocorreu no Centro Regional Estadual Indígena Watuminpen Kaimen’au Da’y, na Comunidade Malacacheta, no Cantá. A agenda incluiu reuniões pedagógicas e administrativas, além da apresentação de materiais de suporte aos gestores, como orientações pedagógicas, regimento escolar, calendário letivo de 2025 e documentos sobre o uso consciente de tecnologia nas escolas.
Entre os temas que foram debatidos estão a regularização das escolas junto ao Conselho Estadual de Educação, avaliações educacionais, oferta da Educação de Jovens e Adultos e estratégias do Programa Pé-de-Meia. Além disso, houve uma análise situacional sobre a distribuição de livros didáticos e a aplicação da Lei Nº 15.100/2025, que trata do uso de celulares em ambiente escolar.
Para o gestor da Escola Estadual Indígena Sizenando Diniz, Ananias Lima, a presença da Secretaria de Educação reunindo gestores da região da Serra da Lua é fundamental para esclarecer dúvidas e fornecer orientações.
“Essa ação, tem sido crucial para nós, gestores escolares e coordenadores pedagógicos, pois já resolveu muitas de nossas dúvidas e nos permitiu melhorar nossa atuação nas escolas”, afirmou.
Escolas Multisseriadas e Bilíngues
As Escolas Estaduais Indígenas Multisseriadas e Bilíngues são instituições voltadas para o atendimento educacional de comunidades indígenas, respeitando suas especificidades culturais e linguísticas.
Com um modelo de ensino que reúne alunos de diferentes séries em uma mesma sala de aula, essas escolas adotam a abordagem multisseriada, possibilitando que crianças e jovens de idades variadas aprendam juntas sob a orientação de um único professor. Esse formato é comum em comunidades onde a quantidade de estudantes por série não é suficiente para formar turmas separadas.
Além disso, essas escolas são bilíngues, o que significa que o ensino ocorre tanto na língua materna da comunidade indígena quanto em Língua Portuguesa. Essa proposta tem como objetivo garantir que os estudantes desenvolvam habilidades na língua oficial do país sem perder a conexão com sua cultura e identidade. Dessa forma, o currículo dessas instituições vai além do ensino tradicional, incorporando saberes ancestrais, história e organização social dos povos indígenas.
Outro ponto relevante é que muitas dessas escolas contam com professores indígenas da própria comunidade, o que fortalece a educação contextualizada e valoriza o conhecimento sobre os povos originários.
A unidade Seed Itinerante representa um avanço na educação indígena, promovendo a preservação das línguas e culturas originárias e garantindo o direito ao aprendizado de forma inclusiva e diferenciada.
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