A Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil) concluiu nesta sexta-feira (4) uma intensa semana de diálogos em Brasília, levando as vozes dos povos amazônicos ao centro do poder federal. Dom Evaristo Pascoal Spengler, presidente da REPAM, foi incisivo em suas colocações durante as reuniões.
"Nesta sexta-feira estamos concluindo uma semana de incidência aqui em Brasília. A REPAM, que nasceu em 2014 e está organizada em nove países da Pan-Amazônia, vem sistematicamente ouvindo os territórios. Em 2023, diante daquela grande seca, da crise climática que fez os rios baixarem, muitas comunidades ficaram isoladas e houve muita fome. Naquele momento, apresentamos essa realidade dura a 13 ministérios."
A delegação realizou 24 reuniões em cinco dias, incluindo encontros com oito ministérios, a Secretaria-Geral da Presidência, órgãos como IBAMA e FUNAI, além de entidades da sociedade civil. Dom Evaristo detalhou:
"Visitamos desde ministérios até organismos como o CIMI, a Caritas e a CNBB. Também estivemos com as Frentes Parlamentares Ambientalista e dos Povos Indígenas. A Amazônia precisa de uma virada urgente na defesa dos seus povos e territórios."

Sobre os temas abordados, o líder religioso foi enfático: "A questão climática foi transversal em todas as reuniões, especialmente com a COP-30 chegando à Amazônia. Destruir a Amazônia significa abalar todo o sistema climático que regula as chuvas no país. De lá saem os rios voadores que sustentam o Sul, Sudeste e Centro-Oeste."
Críticas ao modelo predatório
Com voz grave, Dom Evaristo fez um apelo emocionado: "Este ano a Campanha da Fraternidade nos lembra que 'Deus viu que tudo era muito bom'. Mas hoje, olhando nosso mundo, Ele não pode dizer o mesmo. A voracidade de tirar os bens da Amazônia para lucro - seja pelo desmatamento, pela pecuária extensiva ou pelos monocultivos - está destruindo a diversidade que sustenta a vida."
Sobre a situação dos povos originários, alertou: "Os indígenas estão especialmente ameaçados agora com o Marco Temporal, que cria grande insegurança. Precisamos de projetos que apoiem as comunidades, como os agroflorestais, que já estão em curso com o Ministério do Desenvolvimento Agrário."
Chamado à ação
Ao final, Dom Evaristo fez um convite à sociedade: "A REPAM vai continuar esse processo de escuta e incidência. Mas convidamos todos a se juntarem nessa defesa da casa comum. A presença do Estado ainda é pequena na Amazônia, enquanto os territórios sofrem com o garimpo ilegal e todas as formas de destruição."
A rede prepara um novo documento com as demandas atualizadas dos territórios para entregar ao governo federal nas próximas semanas.
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