O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, reafirmou o compromisso do governo federal com as ações emergenciais voltadas à população migrante em situação de vulnerabilidade em Roraima. Durante reunião com representantes da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), Cáritas Brasileira e outras entidades ligadas à assistência humanitária, o ministro destacou a necessidade de soluções ágeis para mitigar os impactos da suspensão do financiamento internacional de programas essenciais na região.
A reunião contou com a presença de Dom Evaristo Spengler, presidente da REPAM, Dom Pedro Brito, vice-presidente, Dom Ionilton Lisboa, secretário da organização, Irmã Irene Lopes, secretária executiva, além do consultor da REPAM-Brasil, Melillo Dinis. O encontro abordou a interrupção de recursos oriundos dos Estados Unidos, que financiavam projetos de alimentação e instalações sanitárias para migrantes.
“Temos uma situação delicada que impacta diretamente milhares de pessoas em extrema vulnerabilidade. A suspensão desses recursos compromete o funcionamento de cozinhas solidárias, banheiros públicos e outros serviços essenciais. Precisamos agir com urgência para garantir a continuidade dessas iniciativas”, afirmou Dom Evaristo.
Impacto da suspensão de recursos
Repam, assumiu esse tema da Amazônia e da Cáritas Brasil, que é membro fundador da rede. Desde 27 de janeiro, a Cáritas Brasileira foi surpreendida com o corte dos recursos internacionais que sustentavam dois programas essenciais em Boa Vista e Pacaraima. O Programa de Alimentação, que fornecia cerca de 1.800 refeições diárias, e o Projeto Orinoco, responsável pela oferta de banheiros, chuveiros, lavanderia e acesso à água potável, foram diretamente afetados. O orçamento previsto para 2025 incluía US$ 1,5 milhão para alimentação e US$ 800 mil para infraestrutura sanitária, valores que agora estão comprometidos.
As organizações alertam que essa suspensão afeta especialmente migrantes em situação de rua e ocupações, um público que não se enquadra nos critérios da Operação Acolhida, coordenada pelo governo federal.
Compromisso do governo e soluções emergenciais
Diante do cenário crítico, o ministro Wellington Dias anunciou medidas para garantir a manutenção dos serviços humanitários. Em diálogo com o Ministério da Integração, Defesa Civil Nacional e outros órgãos federais, foi determinada a busca por soluções emergenciais. Uma das estratégias envolve a ampliação das cozinhas solidárias, com possibilidade de integração com programas de qualificação profissional para migrantes.
“Estamos trabalhando para garantir que esses serviços essenciais continuem funcionando. Além de assegurar a alimentação e higiene básica, queremos oferecer oportunidades para que essas pessoas possam reconstruir suas vidas com dignidade”, destacou o ministro.
A expectativa é que, até meados de maio, o governo consiga definir um modelo de financiamento complementar para suprir as lacunas deixadas pela suspensão dos repasses internacionais.
Na reunião, o ministro reafirmou seu compromisso por meio de um vídeo, destacando a importância do trabalho da REPAM Brasil na região amazônica e sua integração com outros países.
O ministro ressaltou a preocupação com a retirada de apoio internacional, que agravou ainda mais as dificuldades enfrentadas na região. Como resultado da reunião, foi acordada uma parceria entre a NBS e o governo federal em duas frentes: uma voltada à segurança alimentar e outra à criação de uma casa de passagem para acolhimento, garantindo atendimento adequado às pessoas que não estão em abrigos, mas que já vivem nas cidades próximas.
Ele enfatizou ainda a necessidade de garantir respostas emergenciais enquanto se trabalha em soluções mais duradouras para o atendimento e a dignidade dessas populações vulneráveis.
Próximos passos
O governo federal segue em articulação com entidades da sociedade civil, organismos internacionais e outros ministérios para buscar soluções definitivas para a crise humanitária em Roraima. A prioridade, segundo Wellington Dias, é evitar que milhares de pessoas fiquem sem acesso a alimentação, higiene e condições mínimas de dignidade.
“Nossa missão é garantir que ninguém seja deixado para trás. Vamos seguir trabalhando para manter e fortalecer essas ações, porque cuidar das pessoas é a nossa prioridade”, concluiu o ministro.
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