Nesta quarta-feira, os bispos da Amazônia realizaram uma visita à sede da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI), onde foram recebidos pela presidente Joenia Wapichana para debater temas urgentes relacionados à proteção dos territórios indígenas, regularização fundiária e desafios enfrentados na região amazônica.
O encontro contou com a presença de Dom Evaristo Spengler, presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), Dom Pedro Brito, vice-presidente, e Dom Ionilton Lisboa, secretário da organização, Irmã Irene Lopes, secretária executiva, além do consultor da REPAM-Brasil, Melillo Dinis. Durante a reunião, foram discutidas a necessidade de acelerar a demarcação de terras indígenas, os impactos de grandes obras de infraestrutura sobre os territórios tradicionais e a situação emergencial dos Yanomami em Boa Vista.
Os bispos reforçaram a urgência da demarcação de terras, destacando que os povos indígenas seguem vulneráveis diante de invasões e ameaças. Em resposta, a presidente da FUNAI ressaltou os avanços recentes, incluindo a atuação de 153 grupos de trabalho na Amazônia para destravar processos que estavam paralisados há mais de uma década. Além disso, mencionou o reforço no quadro de servidores, com 502 novos profissionais que ingressarão na FUNAI para substituir cerca de 500 servidores que estão se aposentando este ano.
Outro ponto central do debate foi a Portaria Interministerial nº 60, que regulamenta obras de infraestrutura em terras indígenas. Os bispos manifestaram preocupação com os impactos desses empreendimentos e reforçaram a necessidade de garantir que as decisões respeitem os direitos dos povos originários.

A crise dos Yanomami em Boa Vista também foi abordada, com relatos sobre a migração forçada desse povo e as dificuldades enfrentadas para garantir assistência e proteção adequada. A presidente da FUNAI destacou os esforços para fortalecer a presença do órgão na Amazônia, incluindo a revitalização da infraestrutura e dos meios de transporte, essenciais para que as equipes técnicas possam atuar de maneira mais eficiente nos territórios indígenas.
O encontro reforçou o compromisso conjunto da Igreja e da FUNAI na defesa dos povos indígenas e na busca por políticas públicas que garantam seus direitos, segurança e dignidade.
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