Igreja Católica de Roraima, Igrejas Cristãs e Sociedade Civil publicam nota sobre a situação dos Imigrantes Venezuelanos em Roraima

“Precisamos fortalecer a dignidade, garantir a integridade, pois são páginas vivas do Evangelho hoje”, dom Mário Antônio da Silva

 Em Boa Vista (RR), a Diocese de Roraima, Igrejas Cristãs e Representantes da Sociedade Civil, em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (23), emitem nota sobre a situação dos Imigrantes Venezuelanos no Estado de Roraima.

O Bispo Diocesano de Roraima, dom Mário Antônio da Silva, agradeceu e reconheceu às inúmeras pessoas que se colocam no serviço à acolhida solidária aos imigrantes venezuelanos que chegam ao estado.

“Precisamos fortalecer a dignidade, garantir a integridade, pois são páginas vivas do Evangelho hoje”, disse o bispo. Por outro lado, dom Mario, manifestou discordância com os grupos que se organizam nas redes sociais para promover a xenofobia e praticar atos violentos, como foi o caso em que um grupo de manifestantes de Mucajaí (RR), interior do estado, invadiram o abrigo onde estão os imigrantes e atearam fogo aos pertences dos venezuelanos. “Claro, a nossa cidade mudou, mas isso não dá o direito de maltratar, desrespeitar, causar danos aos bens dos imigrantes, fragilizando ainda mais a situação desses nossos irmãos”, ressaltou dom Mário.

O bispo convocou ao fortalecimento da rede de cooperação e acolhida: “Vamos deixar verter em nossos corações a solidariedade, o olhar atento, a boa vontade e a capacidade de servir aos necessitados”.

Abaixo, à íntegra, Nota assinada por 46 entidades que se posicionam em favor da acolhida dos imigrantes venezuelanos e manifestam discordâncias às posturas xenofóbicas e atos violentos de alguns grupos da sociedade roraimense.  

A Diocese de Roraima e os diversos representantes da sociedade civil reunidos em Boa Vista (RR), no dia 20 de março de 2018, vêm, por meio dessa carta, se posicionar em relação ao fluxo imigratório verificado na fronteira entre o Brasil e a Venezuela.

Primeiramente, manifestamos o nosso agradecimento e apoio às diversas instituições e pessoas que não estão medindo esforços em colaborar no acolhimento, integração local e interiorização de imigrantes em situação de vulnerabilidade.  Ficamos encantados ao acompanhar relatos de solidariedade, frutos de ações promovidas principalmente por voluntários e voluntárias que se sensibilizaram com o sofrimento de famílias inteiras e de pessoas que buscam em nosso país um sinal de esperança e de futuro para suas vidas.

Também manifestamos nossa discordância quanto às manifestações xenofóbicas que, infelizmente, vêm se intensificando a cada dia nas cidades de nosso estado e na internet, por meio de aplicativos e redes sociais. É preocupante que, diante de uma situação de emergência e de fragilidade extrema, pessoas e grupos fomentem e promovam o ódio aos imigrantes e àqueles e àquelas que se dispõem a ajudá-los em sua luta diária pela sobrevivência. Desejamos que tais manifestações não venham intimidar os grupos e pessoas que, voluntariamente, estão colaborando para minimizar as dificuldades pelas quais estão passando os imigrantes que chegam ao nosso país. O tempo é favorável para que vivamos o que a Campanha da Fraternidade da CNBB deste ano nos propõe: “Vós sois todos irmãos”, (Mt 23, 8).

Por último, reivindicamos, veementemente, respostas integradas e ações coordenadas das três esferas governamentais (federal, estadual e municipais) para a situação imigratória em Roraima. A omissão do Estado diante da grave situação em que milhares de pessoas se encontram, por meio do não atendimento das suas necessidades básicas como alimentação, abrigo, medicamentos e segurança, não pode mais continuar. A notável ausência de iniciativas humanitárias eficientes e coesas, por parte dos poderes públicos e a desarticulação entre si, não podem mais alimentar um ambiente de incerteza e medo na sociedade local, que, consequentemente, contribui para o surgimento de comportamentos xenofóbicos e de incitação à violência.

Nos juntamos às diversas representações da sociedade civil que, em notas anteriores, já se manifestaram diante da realidade apresentada em nosso estado. Reforçamos o desejo de que todos os imigrantes sejam tratados com dignidade e que seus direitos sejam respeitados. E que, como nos lembra o papa Francisco, “cada forasteiro que bate à nossa porta [seja uma] ocasião de encontro com Jesus Cristo, que Se identifica com o forasteiro acolhido ou rejeitado de cada época”, (cf. Mt 25, 35.43).

  

Dom Mário Antônio da Silva

Bispo Diocesano de Roraima

 

Entidades que assinam:

Igreja Evangélica de Confissão Lutereana no Brasil

Amor Sem Fronteiras

Assembleia Nacional de Estudantes Livre – ANEL

Assoer

Cáritas/RR

CMDH – Centro de Migrações e Direitos Humanos

Ação da Cidadania

Companhia de Jesus – Jesuítas

Conselho Indigenista Missionário – CIMI

Fé e Alegria

Fraternidade Sem Fronteiras

Fundação AVINA

GEIFRON/UFRR

GIOMERR

GOERR

IMDH

IMDH Solidário

Instituto Missões Consolata

Irmãos Maristas

Irmãs Missionárias da Consolata

Irmãs Ursulinas do Sagrado Coração de Jesus

Missionários Combonianos

Núcleo Rosa Luxemburgo

Pastorais Sociais (RR)

Pastoral Carcerária/RR

Pastoral da Criança/RR

Pastoral Familiar/RR

Pastoral Indigenista

Pastoral da Juventude (RR)

Pastoral dos Migrantes

Pastoral Universitária

PCB/RR

PSOL/RR

Rede Um Grito pela Vida

REPAM-Brasil

SJMR - Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados

SESDUF-RR

SINASEF Sessão IFRR

STIU/RR

SINTRACOMO

CSP CONLUTAS

UJC

CRB – Núcleo Roraima

Conselho de Psicologia 20ªRegião - CRP 20

Pirilampos - Casa de los Niños

Conectas Direitos Humanos

Movimento Puraké

 

Última modificação em 23/03/2018

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