Venezuela: cresce a revolta e milhares fogem do país

Na Venezuela os motivos de preocupação em relação ao futuro são cada vez maiores. O clima de revolta após as eleições da Assembleia Constituinte está a ganhar fôlego em cada dia que passa. Desta vez foi um grupo de militares que se revoltou sendo manietado horas depois.

A repressão do regime é cada vez mais dura em todo o país: um dos militares rebeldes foi morto e também um dirigente da oposição. O presidente Nicolás Maduro afirmou ser “necessário vencer o terrorismo com as balas”.

Figura importante neste momento da política venezuelana está a ser a Procuradora-Geral do país, Luísa Ortega, que foi demitida do cargo por Maduro, com a acusação de proteger a oposição. Luísa Ortega é uma histórica apoiante do falecido presidente Hugo Chaves e resolveu na passada semana abrir uma investigação sobre a alegada fraude nas eleições para a Assembleia Constituinte. Foi afastada e nas declarações que proferiu disse que “está em andamento” na Venezuela “um golpe contra a Constituição”. Ortega garantiu que vai “lutar até ao último suspiro pela democracia”.

Entretanto, há venezuelanos a fugir do país, em particular, para a Colômbia, o Equador, o Chile e o Perú. São também já vários milhares os venezuelanos de ascendência portuguesa que regressaram a Portugal, particularmente, para a Região Autónoma da Madeira. Trata-se de “uma diáspora sem precedentes” segundo informa o Celam-Conselho Episcopal Latino-Americano. A Santa Sé pediu a suspensão da Assembleia Constituinte devido ao clima de tensão e conflito.

A Rádio Vaticano ouviu o padre Francesco Bortignon, scalabriniano, pároco de Cúcuta no norte da Colômbia, na fronteira com a Venezuela. Este missionário italiano está há 21 anos no país que receberá em setembro a visita do Papa Francisco e falou sobre a situação na fronteira entre a Venezuela e a Colômbia. O padre Bortignon sublinhou à Rádio Vaticano como está difícil e complicada a situação na fronteira entre os dois países:

“A situação na fronteira é realmente difícil, complicada e variável. Existe uma fuga significativa de venezuelanos em direção à Colômbia ou com o sonho de chegar ao Equador, Chile e Perú, porque a situação invisível é devida à fome, à violência e a todas as inseguranças sociais que se verificam na Venezuela nos últimos meses, ligadas em particular, à questão da eleição da Assembleia Constituinte.”

“Há dois anos atrás deflagrou a situação com uma verdadeira e real “deportação” dos colombianos – provavelmente 4 ou 5 milhões – que viviam e trabalhavam na Venezuela. Foram expulsas pessoas que viviam ali há 10, 20, 30 anos. Os documentos foram retirados e eles foram “deportados”. Em seguida, começou a emigração dos próprios venezuelanos que, por motivos de fome e de insegurança política, pelas ondas de extrema violência de grupos armados, que são praticamente paramilitares apoiados pelo Estado venezuelano, começaram a fugir do país. Os números são sempre variáveis, no entanto, no nosso Centro de Migração, chegaram cerca de 2500 pessoas no ano passado.”

“Quando recentemente abriram a Ponte Santo António, aqui perto, atravessaram a ponte entre 25 a 30 mil pessoas. Ultimamente, parece que 2, 3 ou talvez 5 por cento destes 25 mil permanecem com a ideia de irem para o interior da Colômbia ou para outros países, como o Equador, ou com a ideia de continuar em direção ao Chile e ao Perú.”

A Conferência Episcopal Venezuelana expressou a sua gratidão para com a tomada de posição do Papa Francisco e da Santa Sé na semana passada na qual foi reiterado o apelo para o respeito dos Direitos Humanos e foi pedida a suspensão da Assembleia Constituinte.

Última modificação em 09/08/2017

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